• INTERVENÇÃO PSICOMOTORA
  • FINALIDADES
  • PROBLEMÁTICAS PARA QUE É INDICADA
  • VERTENTES DE INTERVENÇÃO
  • CONTEÚDOS

A intervenção psicomotora destina-se a crianças e jovens que revelam problemas de desenvolvimento e de maturação psicomotora, de comportamento, de aprendizagem e de âmbito psico-afectivo. Nesta reeducação ou terapia de mediação corporal, o psicomotricista estuda e compensa a expressão motora inadequada ou inadaptada. Assim, as sessões decorrem com uma estrutura organizada e num ambiente lúdico, onde cada situação é ajustada ao nível de aprendizagem da criança a fim de promover o seu desenvolvimento motor, cognitivo, social e psico-afectivo.

Na infância, a Psicomotricidade tem como finalidade otimizar e maximizar o potencial de aprendizagem e a adaptabilidade psicossocial da criança. Através de experiências concretas a Psicomotricidade permite transformar o cérebro num órgão com maior capacidade para captar, integrar, armazenar, elaborar e expressar informação. Desta forma, surge como um recurso importante para o harmonioso desenvolvimento da criança, pois é através do movimento que a criança se relaciona com o mundo, com os objetos e com os outros e através do qual desenvolve a inteligência e pacifica os seus estados emocionais.

  • Com incidência corporal: Dispraxia, desarmonias tónico-emocionais, instabilidade postural, perturbações do esquema corporal e da lateralidade, estruturação espacial e temporal, etc.
  • Com incidência relacional: Dificuldades de comunicação e de contacto, inibição, hiperatividade, agressividade, etc.
  • Com incidência cognitiva: Défices de atenção, de memória, de organização perceptiva, simbólica e conceptual.

A intervenção psicomotora desenvolve-se num contexto lúdico, individualmente ou em grupo. Consoante a história das crianças, a origem e características das suas dificuldades e a sua idade, são selecionadas e utilizadas:

  • Técnicas de relaxação e de consciencialização corporal.
  • Atividades expressivas.
  • Jogos sensoriomotores e de estimulação sensorial.
  • Técnicas de Educação Gestual e Postural.
  • Técnicas de Reeducação Gnoso-práxica (envolvendo a organização planificada e interiorizada da ação e sua representação através de formas diversificadas de expressão: motora, gráfica, verbal, sonora, plástica, etc.)
  • Atividades de resolução de problemas e jogos de regras.

Os fatores psicomotores estão inter-relacionados, influenciando-se mutuamente. Além disso, estão organizados em termos de complexidade crescente, podendo atuar em conjunto ou separadamente, numa determinada ação. De seguida, são apresentados os sete fatores Psicomotores:

  • Tonicidade: Permite as atividades motoras básicas e as funções de alerta, atenção e vigilância, sendo indispensável a qualquer atividade mental e movimento voluntário.
  • Equilibração: Factor determinante para a construção do movimento voluntário, permitindo o ajustamento postural e gravitacional.
  • Lateralização: Caracteriza-se pela função psicomotora que integra os dois lados do corpo, permitindo uma melhor orientação no mundo exterior relativamente ao próprio corpo. A lateralização representa a organização existente entre os dois hemisférios no que respeita à dominância: telerrecetora (ocular e auditiva), propriocetiva (manual e pedal) e evolutiva (inata e adquirida).
  • Noção do corpo: Representação mental que consiste na integração das partes do corpo que participam no movimento e das relações que têm de estabelecer entre si e os objectos externos.
  • Estruturação Espácio-Temporal: Fornece os instrumentos psicomotores básicos da aprendizagem e da função cognitiva, pois possibilita as bases de pensamento relacional, a capacidade de ordenação e de organização, a capacidade de processamento simultâneo e sequencial da informação, a capacidade de retenção e revisualização, a capacidade de representação, quantificação e categorização, etc.
  • Praxia Global: Refere-se aos movimentos de todo o corpo e de grandes segmentos corporais, envolvendo a organização da actividade consciente e a sua programação, regulação e verificação.
  • Praxia Fina: Refere-se aos movimentos precisos das mãos e dos dedos, evidenciando a velocidade e a precisão dos movimentos finos e a facilidade de reprogramação de ações, à medida que as informações tátilo-percetivas se ajustam às informações visuais.